Airbnb defende coordenação nacional e alerta para risco de sobreposição tributária em Salvador

Principais Informações

  • Prefeitura de Salvador sanciona lei que abre caminho para a cobrança de ISS diretamente de quem oferece imóvel para locação por temporada, o que tende a reduzir a oferta de acomodações na cidade.
  • Em um momento de forte avanço do turismo, a medida ameaça a renda de milhares de famílias que utilizam o Airbnb para complementar o orçamento e pode dificultar o atendimento em períodos de alta demanda, como Réveillon e Carnaval.

Principais Informações

  • Prefeitura de Salvador sanciona lei que abre caminho para a cobrança de ISS diretamente de quem oferece imóvel para locação por temporada, o que tende a reduzir a oferta de acomodações na cidade.
  • Em um momento de forte avanço do turismo, a medida ameaça a renda de milhares de famílias que utilizam o Airbnb para complementar o orçamento e pode dificultar o atendimento em períodos de alta demanda, como Réveillon e Carnaval.

Em Salvador, milhares de famílias utilizam a locação por temporada para equilibrar o orçamento. Muitas vezes, a renda extra obtida com a atividade é determinante para que elas possam continuar morando em suas casas e lidar com o aumento do custo de vida. Por isso, a sanção da Lei nº 9.877/2025,  pela prefeitura de Salvador, preocupa o Airbnb e a comunidade de anfitriões, já que pode inviabilizar a locação por temporada na cidade. 

Carla Comarella, Líder de Relações Institucionais e Governamentais do Airbnb, chama atenção para o impacto direto sobre os anfitriões de Salvador. Segundo ela, muitos utilizam a renda obtida no Airbnb para pagar contas, manter o imóvel e continuar morando onde sempre viveram. “Com a sanção dessa lei, muitos anfitriões vão perder uma ajuda essencial no orçamento doméstico. É uma decisão que desconsidera o impacto positivo que essa renda tem na vida de milhares de famílias”, afirma.

A lei, sancionada na sexta-feira (24), é resultado do Projeto de Lei nº 396/2025, aprovado pela Câmara Municipal apenas dois dias antes. O texto altera pontos do Código Tributário da cidade e pode gerar interpretações equivocadas se equiparar a locação por temporada a serviço de hospedagem, em claro conflito com a Lei Federal do Inquilinato (Lei nº 8.245/1991). A lei pode obrigar anfitriões a se registrarem na Prefeitura e, a partir desse enquadramento, criar brechas para a cobrança do ISS, imposto que não se aplica ao aluguel por temporada,  já sujeito ao Imposto de Renda conforme legislação vigente. A medida contraria a legislação federal, que define a locação como uma relação civil entre pessoas, e não como uma atividade comercial.

A nova regra entra em vigor imediatamente e deve reduzir de forma significativa a oferta de acomodações, hoje essencial para atender o fluxo de turistas em grandes eventos, como o Réveillon e o Carnaval.

Reforma Tributária

A Lei Municipal nº 9.877/2025  é descoordenada em relação ao debate nacional já em curso. A Reforma Tributária, aprovada em 2023 e em fase de regulamentação, deve disciplinar o tratamento tributário do aluguel por temporada em âmbito nacional, reduzindo a necessidade de iniciativas locais isoladas.

“A Reforma esclarece que esse tipo de locação será tributado pelos novos impostos IBS e CBS, e não pelo ISS municipal. Adotar soluções locais antes desse processo pode desorganizar o sistema e gerar insegurança jurídica.”

 Henrique Índio do Brasil, Diretor Tributário do Airbnb para América Latina e Canadá.

Ele ressalta que o Airbnb continuará defendendo a harmonização nacional do tema e atuará contra iniciativas locais que criem insegurança jurídica e prejudiquem famílias que dependem da renda da locação por temporada.

Renda complementar e impacto social

Em Salvador, a locação por temporada tem rosto e história. Dados do Airbnb mostram que 80% dos anfitriões em Salvador não consideram receber hóspedes no Airbnb como sua ocupação principal1. Metade dos anfitriões são mulheres, 20% são aposentados2, e quase 60% afirmam que a renda obtida com o Airbnb os ajudou a continuar morando em suas casas no ano anterior à pesquisa3. Além disso, aproximadamente 45% dizem usar essa renda para pagar contas4, e quase 20% para lidar com o aumento do custo de vida5.

Esse dinheiro movimenta a economia local:  Mais de 50% dos anfitriões afirmaram que utilizaram a renda obtida no Airbnb para cobrir necessidades como alimentação e outros custos que se tornaram mais caros no ano que antecedeu a pesquisa6. Além disso, quase 45% receberam hóspedes durante eventos locais7, o que mostra como o turismo ajuda a espalhar oportunidades por diferentes bairros da cidade.

Turismo em alta

O debate ocorre em um momento de forte crescimento do turismo na cidade e no estado. No último Carnaval, Salvador registrou aumento de mais de 2.500% nas buscas por acomodações no Airbnb entre hóspedes brasileiros, em relação ao mesmo período do ano passado8. Na Bahia, o número de turistas estrangeiros cresceu mais de 60% entre janeiro e julho deste ano, segundo dados da Embratur9. O avanço ficou acima da média nacional.

Para a Líder de Relações Governamentais do Airbnb, o momento reforça a importância de diálogo e cooperação com o poder público.

“Salvador tem um papel fundamental para o turismo brasileiro e o Airbnb quer continuar sendo um parceiro da cidade e das autoridades locais. O compromisso da plataforma é seguir dialogando e construindo soluções equilibradas, que garantam segurança jurídica e valorizem tanto os moradores quanto o destino.”

Carla Comarella, Líder de Relações Institucionais e Governamentais do Airbnb

Ela explica que o Airbnb e o setor hoteleiro cumprem papéis diferentes dentro do ecossistema do turismo, sendo complementares, inclusive durante a alta temporada, quando o fluxo de viajantes é ainda maior. “Há espaço e oportunidades para todos os modelos de acomodação”, complementa.

O Airbnb reforça que a locação por temporada é uma atividade regulada pela legislação federal. A plataforma continuará a trabalhar com representantes de todos os municípios brasileiros para que milhares de brasileiros, que hoje contam com a renda extra obtida ao disponibilizar seus imóveis no Airbnb não sejam prejudicados, e para defender o setor do turismo e o impacto positivo nas economias locais.

Restrições em outras cidades trouxeram efeitos contrários ao esperado

Experiências internacionais mostram que restrições ao aluguel por temporada não resolvem os desafios de habitação e podem gerar efeitos indesejados. Em Nova York, o aluguel de longa duração aumentou 3,4% em 11 meses após a nova regulamentação10, enquanto os preços médios dos hotéis subiram 7,4% no mesmo período11. Já em Barcelona, após uma década de restrições, a cidade enfrenta um déficit habitacional recorde e uma alta de 70% nos aluguéis de longa duração12.

No Brasil, o debate também chegou à cidade do Rio de Janeiro, onde projetos semelhantes foram considerados prejudiciais à economia local e à população que complementa renda por meio da locação por temporada. Segundo dados do Airbnb, quase 30% dos anfitriões cariocas são aposentados, e mais da metade afirma que a renda obtida com a atividade os ajuda a continuar morando em suas casas13

O Airbnb tem um histórico de contribuição para o turismo e as comunidades locais, e segue comprometido em apoiar o desenvolvimento sustentável do turismo em Salvador, valorizando os anfitriões e os moradores que fazem parte desse ecossistema.

  1.  Com base nas respostas de anfitriões no Airbnb em Salvador entrevistados entre 19 de abril de 2024 e 30 de dezembro de 2024.
  2.  Com base nas respostas de anfitriões no Airbnb em Salvador entrevistados entre 19 de abril de 2024 e 30 de dezembro de 2024.
  3.  Com base nas respostas de anfitriões no Airbnb em Salvador entrevistados entre 19 de abril de 2024 e 30 de dezembro de 2024.
  4.  Com base nas respostas de anfitriões no Airbnb em Salvador entrevistados entre 7 de novembro de 2024 e 29 de dezembro de 2024.
  5. Com base nas respostas de anfitriões no Airbnb em Salvador entrevistados entre 13 de novembro de 2024 e 29 de dezembro de 2024.
  6.  Com base nas respostas de anfitriões no Airbnb em Salvador entrevistados entre 19 de abril de 2024 e 30 de dezembro de 2024.
  7.  Com base nas respostas de anfitriões no Airbnb em Salvador entrevistados entre 19 de abril de 2024 e 30 de dezembro de 2024.
  8.  Dados internos de buscas domésticas para estadias em Salvador, comparando buscas feitas para o período de 1º a 6 de março de 2024 e 28 de fevereiro a 5 de março de 2025.
  9.  Dados da Embratur, compilados em parceria com a Polícia Federal e o Ministério do Turismo, referentes ao período de janeiro a julho de 2025, divulgados em 6 de agosto de 2025.
  10.  StreetEasy.
  11.  Período de 12 meses entre 1º de julho de 2023 e 31 de julho de 2024.
  12.  Câmara Municipal: Preço médio mensal por unidade habitacional em Barcelona: o preço médio para alugar uma unidade habitacional aumentou de 688,23 euros para 1.171,28 euros.
  13.  Com base nas respostas de anfitriões no Airbnb na cidade do Rio de Janeiro entrevistados entre 5 de janeiro de 2024 e 31 de dezembro de 2024.